AS NOSSAS
AVES
Um oceano de riqueza
Mais de 80 espécies de aves marinhas foram registadas nos Açores, desde o pequeno e endémico painho-de-Monteiro até aos grandes alcaides e gansos-patola, que patrulham os mares do arquipélago durante o inverno. Destas, 10 espécies são consideradas nidificantes regulares nos Açores, incluindo seis Procellariiformes — bem representados pelo cagarro, a espécie mais abundante — e quatro Charadriiformes, como o bem conhecido garajau-comum. Todas as espécies nidificantes, com exceção do painho-da-madeira, nidificam exclusivamente durante a estação quente, em costas e ilhéus. Outras espécies emblemáticas que nidificam no arquipélago incluem o Frulho, endémico da Macaronésia, o estapagado, a alma-negra e o garajau-rosado.
Durante o verão, com o aumento da temperatura das águas, é também possível observar espécies tropicais, como o alcatraz-pardo e o rabo-de-palha-de-bico-vermelho. Os Açores servem ainda como uma importante área de alimentação para muitas espécies durante a migração, incluindo grandes concentrações de painhos-de-cauda-forcada, pardelas-pretas, cagarros-de-coleira, bem como espécies de moleiro de menor tamanho, como o moleiro-pequeno, o moleiro-do-Ártico e o moleiro-rabilongo. Após a época de reprodução, espécies raras como as freiras do género Pterodroma — verdadeiras jóias escondidas do Atlântico — podem também visitar as águas dos Açores, sobretudo durante períodos de maior produtividade. No inverno, as gaivotas tornam-se particularmente abundantes, com uma forte presença longe da costa da gaivota-tridáctila, enquanto a gaivota-de-cabeça-preta é mais frequentemente observada junto à costa em companhia da gaivota-de-patas-amarelas, a única gaivota residente.
Por que são importantes as aves marinhas?
Enquanto predadores de topo, as aves marinhas desempenham um papel crucial nos ecossistemas marinhos, contribuindo para a manutenção do equilíbrio das comunidades pelágicas e costeiras. Ao atravessarem fronteiras entre ecossistemas, estas aves redistribuem matéria orgânica e nutrientes desde as áreas de alimentação no mar até às colónias de nidificação em terra. Além disso, as aves marinhas são consideradas sentinelas do oceano, uma vez que a sua ocorrência e as tendências populacionais podem refletir alterações na disponibilidade de presas ou mesmo oscilações climáticas e oceanográficas de grande escala. Por exemplo, a detecção de espécies fora da sua área de distribuição natural pode estar associada a anomalias nas correntes oceânicas e nos padrões de vento, ou a mudanças na temperatura da água do mar.
Apesar da sua importância ecológica, as aves marinhas estão entre os grupos de aves mais ameaçadas a nível mundial. Pressões como as interações com a pesca, a degradação do habitat, a poluição e a presença de espécies invasoras nos locais de nidificação continuam a provocar declínios populacionais em todos os oceanos.